Dicionário elementar de liturgia
José Aldazábal
catecumenado
As palavras catecúmeno e catecumenado, como catequese e catequizar, vem do termo grego kat-eco (fazer eco, instruir por palavra). Em latim, catechumenus.
No NT, já se indica uma preparação, embora simples, para o Baptismo: os que, ao serem evangelizados, chegam à fé e à conversão, são baptizados. Basta recordar o episódio de Filipe e do eunuco em Act 8,26. A partir do século II, foi-se organizando um processo de preparação chamado «catecumenado», que chegou a ser uma instituição importante na dinâmica da vida eclesial, sobretudo nos séculos IV-V, atestando a seriedade que a Igreja dava à iniciação cristã.
O catecumenado tinha como característica fazer o caminho em grupo, com expressiva participação da comunidade, não só por meio dos padrinhos, mas pelo seu acompanhamento em relação ao grupo de catecúmenos. Consistia numa série de reuniões de catequese e de oração, com gestos simbólicos rituais: exorcismos, escrutínios e «entregas» simbólicas dos Evangelhos, do Símbolo da Fé e do Pai-Nosso.
Uma primeira etapa deste caminho era a dos «petentes» ou «competentes»: aqueles que pediam para ser admitidos na Igreja, através da entrada no grupo de catecúmenos. Outra, a dos «electi» ou *eleitos, que tendo sido admitidos, participavam nas últimas semanas de preparação para a Páscoa. E, finalmente, a dos «*iluminados» que, já baptizados, continuavam ainda um ritmo de catequeses mistagógicas e celebrações, durante a semana da Páscoa. A meio da Vigília Pascal, celebravam, no seio da comunidade, os três sacramentos da iniciação: Baptismo, Confirmação e primeira Eucaristia, tal como já Hipólito descreve nos princípios do século III.
Diversas causas, entre elas a admissão generalizada das crianças ao Baptismo nos séculos seguintes, fizeram com que o catecumenado decaísse e quase desaparecesse. Na nossa geração, porém, foi recuperado. Em 1962, com João XXIII, restabeleceu-se, em sete eta¬pas, mas não chegou a implementar--se, porque o Concílio Vaticano II (cf. SC 64-66; AG 14) se encarregou da sua profunda revisão, tendo resultado num Ritual muito amadurecido: o da Iniciação Cristã de Adultos (RICA: 1972).
Este Ritual descreve as quatro etapas (pré-catecumenado, catecumenado, eleição, mistagogia), e os três «ritos» de passagem de uma a outra (admissão ao catecumenado, rito de eleição para a preparação próxima, na Quaresma, e a celebração dos três sacramentos, na Vigília Pascal).
O Código de Direito Canónico, no § 1 do seu cânone 206, define assim os catecúmenos: «Estão ligados à Igreja, de modo especial, os catecúmenos, isto é, aqueles que, por moção do Espírito Santo, com vontade explícita, anseiam por ser nela incorporados, e graças a esse desejo, assim como pela vida de fé, esperança e caridade que levam, se unem à Igreja, que já os trata como seus.»
«Hoje em dia, portanto, em todos os ritos latinos e orientais, a iniciação cristã de adultos começa com a sua entrada no catecumenado, para atingir o ponto culminante na celebração única dos três sacramentos, Baptismo, Con¬fir¬ma¬ção e Eucaristia. Nos ritos orientais, a iniciação cristã das crianças na infância começa no Baptismo, seguido imediatamente da Confirmação e da Eu¬caristia, enquanto no rito romano a mesma iniciação prossegue durante os anos de catequese, para terminar, mais tarde, com a Confirmação e a Eucaristia, ponto culminante da sua iniciação cristã» (CIC 1233).
O Catecismo fala da exigência do catecumenado pós-baptismal. «Não se trata apenas da necessidade duma instrução posterior ao Baptismo, mas do desenvolvimento necessário da graça baptismal no crescimento da pessoa» (cf. CIC 1231).
Também se utiliza o nome, matizado como «quase-catecumenado» ou «neocatecumenado», para os vários processos, mais ou menos institucionalizados, que ajudam os baptizados a aprofundar, pela instrução, a oração e a experiência eclesial, a sua identidade e a sua vida cristã: a preparação em grupo para a Primeira Comunhão e para a Confirmação, a pastoral juvenil com estilo catecumenal, e, sobretudo, as comunidades neocatecumenais.