Dicionário elementar de liturgia

José Aldazábal

 

candeias, candelabros, candelária

 

Candeia vem do latim, candere (arder) e significa vela ou círio. O *castiçal é o suporte para a vela ou candeia, e a palmatória é a sua versão mais pequena, sendo o Círio Pascal a mais solene e adornada. Chama-se candelabro ao candeeiro, que pode ter vários braços para várias velas, como, por exemplo, o famoso candelabro (menorá) de sete braços do Templo judaico (cf. Ex 25,31-40) ou o do antigo rito das «Trevas», na Semana Santa, em que se iam apagando sucessivamente as quinze velas de um candelabro em forma de triângulo.
À parte o seu uso prático, as candeias apresentam também um espontâneo sentido simbólico, como expressão de fé, festa, oferenda, atenção, presença do divino, sobretudo em clima de culto. Em Act 20,8 fala-se das muitas luzes que havia na sala onde celebravam a «Fracção do Pão»; e, em Ap 4,5, das sete lâmpadas, diante do trono de Deus. Nas parábolas de Jesus, como a das virgens prudentes e das insensatas, a luz que levam nas suas lâmpadas é símbolo de atenção e preparação (cf. Mt 25,1-13; Lc 12,35).
Na liturgia, utiliza-se com frequência este simbolismo:
• os recém-baptizados recebem a vela acesa como símbolo da vida iluminada por Cristo;
• o mesmo sucede, às vezes, na profissão dos religiosos;
• sobre o altar da Eucaristia, ou próximo dele, brilham dois ou mais cas¬ti¬çais com as suas velas acesas, desde o início da celebração, como sinal sim¬ples e expressivo do respeito que nos merece a acção que sobre ele se realiza (cf. IGMR 117.307);
• podem acompanhar também a procissão de entrada dos ministros, assim como a proclamação do Evangelho;
• brilha constantemente uma lâmpada diante do sacrário, e várias velas as que se costumam acender para a adoração do Santíssimo, sobretudo, quando se expõe solenemente;
• os sete candelabros à volta do altar na missa estacional episcopal provêm do costume, testemunhado pelo Ordo Romanus I, dos sete acólitos que, com candelabros, estavam presentes na mis¬sa estacional papal, vindos das sete regiões de Roma, como sinal de respeitosa homenagem à entrada do Papa;
• o Círio Pascal, que se acende solenemente na Vigília Pascal e, depois, durante a Cinquentena, e também nos baptismos e exéquias, tem um claro sentido em relação à luz que Cristo, verdadeira Luz do mundo, nos quer comunicar, coisa que se põe a manifesto quan¬do se acendem progressivamente as velas por todo o povo, na procissão da Vigília Pascal;
• na festa da Candelária, em 2 de Fevereiro, quando celebramos a Apresentação do Senhor no Templo, junto com a Purificação de Nossa Senhora, para dar início à celebração eucarística, organiza-se uma procissão com velas acesas, pondo em relevo o simbolismo da luz para os cristãos que seguem Cristo: «Luz para iluminar as nações», como afirma o velho Simeão.

--> Círio Pascal. Lâmpada, Lamparina. Luz.