Dicionário elementar de liturgia

José Aldazábal

 

Viático

 

De via (caminho), significa «provisões para a viagem».
Desde os primeiros séculos, foi um costume muito valorizado que aos cristãos em perigo, próximo da morte, se lhes desse a Comunhão eucarística. O Concílio de Niceia (ano de 325) apelava já à tradição: «Acerca dos que estão para sair deste mundo, guardar-
-se-á também agora a antiga lei canónica, a saber: que se alguém vai sair deste mundo, não seja privado do último e mais necessário viático» (cânone 13). A indicação de que «sine viático non exeant» («que não sejam deixados partir sem o viático»), manteve-se com fidelidade crescente. É conhecido o testemunho sobre a morte de Santo Ambrósio, dos finais do século IV, segundo o relato do seu diácono Paulino: «quo accepto (corpore Domini), ubi glutivit, emisit spiritum, bonum viaticum secum farens» («apenas recebeu o Corpo do Senhor, expirou, levando consigo um bom viático»). Nos Sacramentários Gelasianos do século VIII e nos Ordines Romani (OR 49 de Andrieu), encontramos rituais detalhados da celebração desta comunhão dos moribundos.
Também agora continua a ter um óptimo sentido esta comunhão em forma de viático. Cristo é o caminho (via) e ao mesmo tempo o Pão da vida, o alimento verdadeiro. Como o cristão começou a sua vida cristã incorporando-se a Cristo por meio do Baptismo, assim termina a sua etapa terrena incorporando-se em Cristo na sua morte e ressurreição, por meio da Eucaristia: isto ajuda-o a celebrar com Ele, de forma definitiva, a sua Páscoa, a saída desta vida e a passagem à definitiva.
«Àqueles que vão deixar esta vida, a Igreja oferece-lhes, além da Unção dos Enfermos, a Eucaristia como viático. Recebida neste momento de passagem para o Pai, a comunhão do Corpo e Sangue de Cristo tem um significado e uma importância particulares. É semente de vida eterna e força de ressurreição, segundo as palavras do Senhor: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia”» (Jo 6,54) (CIC 1524). «A comunhão recebida como viático deve ser considerada como um sinal especial da participação no mistério celebrado no sacrifício da Missa, isto é, no mistério da morte do Senhor e da sua passagem para o Pai. Com o viático, o cristão, na sua passagem desta vida, fortalecido com o Corpo de Cristo, recebe o penhor da ressurreição» (EM 39; EDREL 2532).
O Concílio Vaticano II determinou que, «além do ritos distintos da Unção dos Enfermos e do Viático, componha-se um «Rito contínuo» segundo o qual a Unção seja administrada ao doente depois da confissão e antes da recepção do Viático» (SC 74).
Com efeito, no Ritual da Unção e Pastoral dos Doentes (edição em português de 1994), o capítulo III oferece os ritos e textos para a celebração do Viático, a ser possível, dentro da Missa e sob as duas espécies, depois dos sacramentos da Reconciliação e da Unção dos Doentes. Recomenda-se a aspersão, no início, como recordação do Baptismo. Depois da Liturgia da Palavra, o moribundo, sendo possível, renova a sua profissão de fé com a fórmula dialogada do Baptismo. Ao dar-
-lhe a Comunhão, o ministro acrescenta: «Ele mesmo te guarde e te conduza à vida eterna.» Termina com uma bênção solene.

--> Unção dos Doentes.