Dicionário elementar de liturgia

José Aldazábal

 

sinos

 

O uso de objectos metálicos para assinalar, com o seu som, a festa ou a convocatória da comunidade, é muito antigo. Desde o simples «gongo» até à técnica evoluída dos fundidores de sinos ou aos campanários eléctrónicos actuais, os sinos e sinetas utilizaram-se expressivamente na vida social e no culto. São instrumentos de metal, em forma de copo invertido, com um badalo livre.
Os nomes latinos de signum ou tintinnabulum converteram-se mais tarde, pelo século VI, no de vasa campana, seguramente, porque as primeiras fundições surgiram na região italiana de Campânia.
Quando os cristãos puderam construir igrejas, a partir do século IV, depressa se começou a falar de torres e campanários ligados às igrejas, com sinos que se converteram rapidamente num elemento muito expressivo para assinalar as festas e os ritmos da celebração cristã. Também dentro da celebração se utilizaram, a partir do século XIII, as *campainhas, agora já pouco usadas (cf. IGMR 150, que deixa livre o seu uso), porque já se segue a celebração mais facilmente, a não ser que se imponha o seu uso, não tanto para avisar a chegada de um momento preciso
– por exemplo, a consagração –, mas para lhe dar, simbolicamente, realce ¬festivo.
Os sinos convocam a comunidade cristã, assinalam as horas da celebração (a missa principal), de oração (o -Angelus ou a oração comunitária de um mosteiro), diversos momentos de dor (a agonia ou o falecimento) ou de alegria (a entrada do novo bispo ou pároco) e, sobretudo, com o seu repique gozoso anunciam as festas. E assim se convertem num «sinal feito som» da identidade da comunidade cristã, evangelizador da Boa-Nova de Cristo, no meio de uma sociedade que pode mostrar-se distraída. Como também o próprio campanário, com a sua silhueta estilizada, se converte em símbolo da direcção trans¬cendente que deveria ter a nossa vida, visando o céu.
O Cerimonial das Bênçãos (nn. 1142-1162; in EDREL 1960-1961) oferece textos muito expressivos para a bênção dos sinos, motivando o seu sentido e convertendo o rito numa boa ocasião para que todos possam entender melhor a identidade de uma comunidade cristã e seus ritmos de vida e oração.