Dicionário elementar de liturgia

José Aldazábal

 

Sinal da Cruz

 

Os cristãos fazem com frequência o sinal da cruz sobre as suas pessoas. Ou outros lhos fazem, como no caso do Baptismo, da Confirmação e das Bênçãos.
No princípio, parece que era costume fazer o sinal da cruz só sobre a fronte. A seguir, estendeu-se, a pouco e pouco, ao que hoje conhecemos: ou fa¬zer a grande cruz desde a fronte ao peito e do ombro esquerdo ao direito (nos ritos orientais, do direito ao es¬quer¬do), ou, então, a tripla cruz peque¬na, na fronte, na boca e no peito, como antes da escuta do Evangelho.
É um gesto simples mas cheio de significado. O sinal da cruz é uma confissão da nossa fé: Deus salvou-
-nos na cruz de Cristo. É um sinal de pertença, de posse. Ao fazer sobre a nossa pessoa este sinal é como se disséssemos: estou baptizado, pertenço a Cristo, Ele é o meu Salvador, a cruz de Cristo é a origem e a razão de ser da minha existência cristã.
O primeiro que fez o «sinal da cruz» foi o próprio Cristo, que «estendeu os braços na cruz» (Oração Eucarística II) e «os seus braços estendidos desenharam entre o céu e a terra o sinal inapagável da vossa Alianaça» (Oração Eucarística I da Reconciliação). Se, no AT, se falava dos marcados pelo sinal da letra «tau», em forma de cruz (cf. Ez 9,4-6), e o Apocalipse também nomeia a marca que levam os eleitos (cf. Ap 7,3), nós, os cristão, ao traçar sobre o nosso corpo o sinal da cruz confessamo-nos como a comunidade dos seguidores de Cristo, que nos salvou
na cruz.
Na celebração litúrgica, há muitos momentos em que o sinal da cruz tem especial sentido:
• na Missa, benzemo-nos no começo, dizendo: «em nome do Pai…», e também ao nos dispormos para a escuta do Evangelho, e no final, enquanto recebemos a bênção;
• na Liturgia das Horas, no começo da recitação de cada Hora e no início dos cânticos evangélicos. Quando a hora matutina começa com «Abri, Senhor, os meus lábios» faz-se o sinal da cruz na boca;
• no sacramento da Penitência, o ministro traça o sinal da cruz sobre o penitente ao dizer «eu te absolvo dos teus pecados…», e o penitente faz outro tanto ao receber a absolvição;
• na Confirmação, o bispo traça uma cruz, com o santo Crisma, na fronte dos crismados;
• nas bênçãos sobre coisas e pessoas constumam-se exprimir com o sinal da cruz: toda a bênção nos vem de Cristo e da sua cruz.
Ênfase particular tem a signação no Baptismo, quando, no rito de entrada, o sacerdote e, a seguir, os pais e os padrinhos, fazem sobre a fronte da criança este sinal da cruz. No Ritual, as palavras que acompanham o gesto são expressivas: «N.…, é com muita alegria que a comunidade cristã te recebe. Em seu nome, eu te assinalo com o sinal da cruz, e, depois de mim, os teus pais e padrinhos» (RBC 79).

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