Dicionário elementar de liturgia
José Aldazábal
silêncio
O silêncio é parte integrante da oração e da celebração litúrgica (cf. SC 30).
«Por meio deste silêncio, os fiéis não se vêem reduzidos a assitir à acção litúrgica como espectadores mudos e estranhos, mas são associados mais intimamente ao Mistério que se celebra, graças àquela disposição interior que nasce da Palavra de Deus escutada» (MS 17).
Na Missa, o silêncio pode ajudar muito a celebração: depois de escutar as leituras bíblicas e a homilia, entre o convite «Oremos» e a oração presidencial; no espaço ofertorial, enquanto se dispõe o altar; na preparação imediata da Comunhão, tanto por parte do sacerdote como da comunidade; depois da Comunhão, aprofundando o mistério recebido. Em cada uma destas ocasiões, a finalidade do silêncio pode ser diferente: com o silêncio, os fiéis «concentram-se em si mesmos», «reflectem sobre o que ouviram», «louvam e dão graças a Deus no seu coração e oram», «a fim de tomarem consciência de que se encontram na presença de Deus e poderem formular interiormente as suas intenções» (cf. IGMR 45 e 54).
Na recitação da Liturgia das Ho¬ras, recomenda-se também o silêncio, depois das leituras e da homilia, ou en¬tre os salmos, ou no exame de cons¬ciência de Completas. A finalidade deste silêncio «visa obter a plena ressonância da voz do Espírito Santo nos corações e unir mais estreitamente a oração pessoal à Palavra de Deus e à oração oficial da Igreja» (IGLH 202). Na recitação individual, há ainda maior espaço para o silêncio (cf. IGLH 203).
Também nas Missas com Crianças o Directório recorda que «“o silêncio deve ser observado no seu devido tempo, como fazendo parte da celebração”, a fim de não dar demasiado lugar à actividade exterior, pois mesmo as crianças são capazes, à sua maneira, de meditar. No entanto, têm necessidade de uma certa formação progressiva para aprenderem conforme os diversos momentos ([…]) a entrar em si próprias ou a meditar ligeiramente, ou a louvar Deus e rezar-lhe no seu íntimo» (DMC 37, in EDREL 2796).
Há outras celebrações em que o silêncio pode adquirir especial densidade: a adoração diante do Santíssimo, tanto pessoal como comunitária, que representa um espaço mais meditativo; nas exéquias; nas celebrações penitenciais; em Sexta-Feira Santa, na entrada e prostração do sacerdote, e na apresentação da cruz, com um espaço de silêncio depois da tripla aclamação.
O silêncio não é só privação de ruído ou de palavras. Não é passividade, nem indiferença ou ausência. É presença, acolhimento, atenção, reflexão, rossonância, assimilação, personalização do que se celebra, interiorização do mistério, espaço de liberdade para que actue o Espírito. É a partir do silêncio que se pode escutar. Do silêncio brotam as melhores palavras. Por isso, às vezes, convida-se ao silêncio para que se saiba escutar e para que saibamos dizer a nossa palavra do profundo do nosso ser.