Dicionário elementar de liturgia
José Aldazábal
semana
Vem de septimana, que em latim, por sua vez, procede de septem (sete).
Antes de ser o eixo da organização do ano cristão, com a sucessão de domingo após domingo, a semana foi uma realidade presente em muitos povos, sobretudo no judaico. É difícil precisar a origem da instituição semanal, mas certamente é anterior à cultura judaica, baseada sobretudo no mês lunar de 28 dias e nas suas quatro lunações.
Para Israel, a semana e o ritmo do sábado foram realidades sagradas que, retrospectivamente, se justificaram com o relato religioso da criação do mundo, por Deus, em sete dias, sendo o último de descanso. A semana era a célula do ano. As grandes solenidades celebravam-se ao longo de uma semana. O Pen-tecostes celebra-se uma «semana de semanas», depois da Páscoa. Cada sete anos havia um ano sabático, de des¬can¬so para as terras e para as pessoas.
Os cristãos, mantendo a instituição da semana, tomavam o primeiro dia depois do sábado, o domingo, como dia-
-chave da sua organização do tempo, o dia da Ressurreição de Jesus Cristo, o dia primeiro e, ao mesmo tempo, oitavo. Os nomes dos seus dias tomaram--se tanto do uso judaico (para os quais o único dia com nome é o «sábado», enquanto que os outros se designam com numerais; dia primeiro, segun¬do…) como do romano (dia do Sol, da Lua, de Marte, de Mercúrio, de Júpiter, de Vénus, ou seja, dos dias planetários).
A semana tem, no Ano Litúrgico, uma importância notória. Conta-se o tempo por semanas, à volta do eixo dos domingos: as semanas da Quaresma ou da Páscoa, as 34 semanas do Tempo Comum. O saltério para a Liturgia das Horas distribui-se em quatro semanas, etc.
Quando o Vaticano II fez a declaração sobre a revisão do Calendário e a pos¬sível fixação da Páscoa e do calendário perpétuo, disse explicitamente: «com tal que se conservem e garantam a semana de sete dias com o domingo».
--> Domingo. Férias.