Dicionário elementar de liturgia
José Aldazábal
Santoral
Chama-se «santoral» ao calendário dos dias dedicados à memória e veneração dos Santos.
Desde o princípio do Cristianismo, em primeiro lugar, o culto e a veneração dos mártires, e, de seguida, o de ou¬¬tros santos, deu origem a calendários pró¬prios que estabeleciam as datas das suas festas e memórias, que iam sendo acrescentadas ao calendário «temporal» do Senhor. A partir do século XI, fo¬ram-se editando, à parte, os Santorais. O Concílio de Trento determinou a publi¬cação do novo Calendário, e o papa S. Pio V deu-lhe cumprimento, colocan¬do-o no início do Mis¬sal e do Breviário, tendendo a limitar as festas de Santos, no calendário eclesial. Mas, nos séculos seguintes, essa tendência foi-se ampliando de novo, de modo que o San¬to¬ral praticamente afogava o Temporal ou Festas do Senhor e a sucessão dos domingos.
O Concílio Vaticano II propôs várias normas para a reforma do santoral romano:
• que se guarde a primazia de Cristo na celebração do ano, e que «o Próprio do Tempo ocupe o seu justo lugar de preferência às festas dos Santos para que seja convenientemente celebrado o *ciclo completo dos mistérios das salvação» (SC 108);
• e, portanto, também a prioridade do domingo, a festa primordial;
• a distinção entre calendários universal e particulares: «Para que as festas dos Santos não prevaleçam sobre as festas que recordam os mistérios da salvação, muitas delas ficarão a ser celebradas por cada Igreja particular ou Nação ou Família religiosa, estendendo-se apenas a toda a Igreja aquelas que celebram Santos de importância verdadeiramente universal» (SC 111);
• estabelecer o dia da festa ou da memória do Santo no «*dies natalis», entendendo-se o dia da sua morte, embora, se caírem na Quaresma, se procure outra data relacionada com a sua vida.
Na reforma levada a cabo, que desenbocou no novo Calendário romano de 1969, a base foi a tradição da Igreja romana, mas, ao mesmo tempo, fica mais manifesta a universalidade dos santos, de todas as épocas e séculos (desde os mais remotos até aos do nosso século), de todas as nações (desde o mais remoto Oriente até à Europa, Áfri¬ca e América) e de todas as situações da Igreja e da vida: Papas, bispos, sa¬cer¬dotes, religiosos, leigos.
Há um calendário e um santoral universal para toda a Igreja, e outros particulares, para que cada família religiosa ou igreja local celebre com maior ênfase os seus próprios santos.
O Santoral consta do «Próprio dos Santos» e do «Comum dos Santos», conforme tenham peças eucológicas próprias ou se recorra, para alguma delas – sobretudo para o Prefácio – aos formulários mais gerais, por exemplo, de mártires, ou virgens, ou apóstolos.
--> Ano litúrgico. Calendário. Martirológio. Santos.