Dicionário elementar de liturgia
José Aldazábal
Salmo Responsorial
Embora o testemunho de Justino, no séc. II, não nos fale ainda de um salmo intercalado entre as leituras, sabemos que é antiquíssima a sua existência, herdada da liturgia judaica. No tempo de Santo Agostinho era um dos elementos preferidos da Liturgia da Palavra: ele mesmo, nas suas homilias, o cita com frequência e, às vezes, o converte em tema principal das suas palavras.
Nos séculos posteriores, foi-se dando mais importância à música que ao texto do salmo e foi-se complicando a sua realização, convertendo-se em património de especialistas, com o canto gregoriano dos «graduais» e «tractos». Na reforma actual, clarificou-se o papel deste salmo no conjunto da celebração da Palavra. Ao princípio, chamou-se «canto interleccional» mas o nome de «salmo responsorial» acabou por ser o preferido, por duas razões: a sua estrutura condiz mais com a do salmo do que a de um cântico, e a forma de o rezar é responsorial, ou seja, enquanto o salmista lhe recita ou entoa as estrofes, a comunidade vai respondendo com o seu estribilho ou antífona. Na liturgia hispânica, chama-se psallendum.
O OLM, o novo Leccionário, descreve a finalidade e as modalidades de realização deste salmo responsorial (cf. OLM 19, 22 e 56). Trata-se de dar à celebração um acento de serenidade contemplativa: o salmo prolonga poeticamente e ajuda a comunidade a interiorizar a mensagem da primeira leitura bíblica. Por isso, deve ser dito «da maneira mais adequada à meditação da Palavra de Deus» (OLM 22), sobretudo, com o canto, porque este «ajuda muito a entender o sentido espiritual do salmo e favorece a sua meditação» (OLM 21).
--> Gradual. Salmista.