Dicionário elementar de liturgia

José Aldazábal

 

sal

 

O sal dá sabor, condimenta e conserva os alimentos e preserva-os da corrupção, e, por isso, desde sempre foi um elemento muito apreciado. É famoso o dito de Plínio: «sole et sale nihil corporibus est utilius» («nada há de mais útil para o corpo que o Sol e o sal»), excepto, quando os médicos o proíbem por causa da tensão arterial. Não é de estranhar portanto que, desde muito cedo, e nas diversas culturas, seja símbolo destas mesmas propriedades aplicadas à vida humana e à religião.
No AT, dava-se-lhe um sentido de conversão e fidelidade. Por isso, se exigia, no Levítico: «Deitarás sal em todas as oblações; e não permitirás que falte o sal da aliança do teu Deus sobre a tua oblação» (Lv 2,13). O sal significa, aqui, a estabilidade, a conservação da aliança entre Deus e o seu povo: «aliança de sal, eterna diante do Senhor, para ti e para a tua descendência» (Nm 18,19). Também é símbolo de purificação. Aos que pediam que sanasse as águas da cidade, disse-lhes Eliseu: «“Trazei-me um prato novo e ponde nele sal.” E trouxeram-lho. Eliseu foi à fonte das águas e deitou-lhes sal, dizendo: “Isto diz o Senhor: ‘Tornei saudáveis estas águas, e elas não mais causarão nem morte nem esterilidade’”» (2Rs 2,20). Também foi símbolo da hospitalidade e do acolhimento: oferecer o pão e o sal era o gesto de acolhimento em casa.
No NT, o próprio Jesus emprega o simbolismo do sal quando diz aos discípulos: «vós sois o sal da terra» (Mt 5,13). Como o sal, dissolvendo-se e penetrando na massa, lhe dá gosto e a defende da corrupção, assim os cristãos no meio do mundo. E se eles se desvirtuam, são como o sal que se desvirtua: não servem para nada. Também S. Pau¬lo aponta para o simbolismo do sal quando recomenda aos seus: «que a vossa conversa seja sempre amena, temperada com sal, sabendo responder a cada qual como convém».
Estes simbolismos – e outros, como o da sabedoria, o sabor da vida – contribuíram para que se utilizasse o sal na linguagem da iniciação cristã. Às vezes, dando aos recém-baptizados o sal, como primeiro alimento, em preparação do da Eucaristia. Ou pondo-se--lhes sal na boca – gesto que se fez até à última reforma do ritual – para indicar a sabedoria, a conservação e a fidelidade àquilo que o Baptismo significa, ou a purificação de todo o mal. Todavia, o Ritual de Adultos deixa-o como ri¬to complementar possível, onde se veja que este simbolismo funciona (cf. RICA 89).
No Cerimonial das Bênçãos aparecem textos e leituras para abençoar, por motivos devocionais, o sal, assim como outros alimentos e bebidas (RB 1331).