Dicionário elementar de liturgia

José Aldazábal

 

hino

 

Dá-se o nome de hino (do grego, hymnein [cantar, celebrar]) aos cânticos poéticos não bíblicos. Quando são bíblicos, chamam-se Salmos, se se encontram no Saltério do AT, e cânticos, se não. Temos, por exemplo, cânticos do AT, em Laudes, e do NT, em Vésperas. Do Evangelho, cantamos, em cada dia, três cânticos: o Magnificat, o Benedictus e o Nunc dimittis.
Ainda em tempos do NT parece que, além dos cânticos bíblicos, a comunidade criou outros. Paulo fala de «salmos, hinos e cânticos inspirados» (Cl 3,16). Deles encontramos fragmentos nos vários livros do NT. Restaram-nos, dos primeiros séculos, o Faos ilarón (Ó luz esplendente), o Glória, o Te Deum, as Odes de Salomão, etc. Contudo, no século III, houve em algumas regiões uma reacção contra os textos não bíblicos (os psalmi idiotici, não revelados, mas «próprios», que é o que significa idios), em parte, porque foram utilizados para transmitir os erros dos gnósticos e, depois, dos arianos.
No Oriente, compuseram-se e cantaram-se muitos hinos, sendo o seu mais conhecido autor o diácono Santo Efrém. No Ocidente, foi a Igreja de Milão, com Santo Ambrósio à frente, nos finais do século IV, a que criou e utilizou mais hinos, pela sua eficácia popular na celebração da verdadeira fé. São Bento, no século VI, adoptou para os seus monges vários hinos ambrosianos. Em Roma, até aos séculos XI-
-XII, não se admitiram hinos. Na Igreja hispânica, o Concílio de Toledo, de 637, recomenda-os vivamente.
Na Idade Média, houve grande proliferação de hinos, que foram estudados e editados pelo beneditino de Montecassino, A. Lentini. Actualmente, para cada edição traduzida da Liturgia das Horas foi necessário criar, sob a responsabilidade das Conferências Episcopais, hinos na própria língua, de acordo com o espírito de cada hora e festa, e com dignidade na letra e na música (cf. IGLH 178).
A finalidade dos hinos, na nossa ora¬ção, fica bem retratada na introdução do livro oficial: «Os hinos, no ofício, vêm já duma antiquíssima tradição, e ainda hoje nele mantêm o seu lugar. Dada a sua natureza lírica, estão particularmente destinados ao louvor divino, constituindo ao mesmo tempo um elemento popular. Além disso, mais que os outros elementos do Ofício, marcam logo de entrada a característica peculiar de cada Hora ou de cada festa, mo¬vendo e aliciando os ânimos a uma pie¬do¬sa celebração. Esta eficácia é acrescida com frequência pela beleza literária. Finalmente, os hinos são, no Ofício, o elemento poético mais importante da criação eclesiástica» (IGLH 173; cf. 42).
Na IGLH 173-178, dão-se orientações sobre eles: a doxologia com que concluem, as várias séries que existem, etc. Antes, em Laudes e Vésperas, o hino cantava-se depois da leitura bíblica breve e seu responsório, antes do cântico evangélico. Agora, preferiu-se situá-lo no início, antes da salmodia, acentuando a sua pedagogia introdutória.