Santos

S. PIO X, papa

 

Nota Histórica

Nasceu na aldeia de Riese, na região de Veneza, em 1835. Depois de ter desempenhado santamente o ministério sacerdotal, foi sucessivamente bispo de Mântua, patriarca de Veneza e papa eleito no ano 1903. Adoptou como lema do seu pontificado «Instaurare omnia in Christo», ideal que de facto orientou a sua acção pontifícia, na simplicidade de espírito, pobreza e fortaleza, dando assim um novo incremento à vida cristã na Igreja. Teve também de combater energicamente contra os erros que nela se infiltravam. Morreu no dia 20 de Agosto de 1914.

 

Missa

ANTÍFONA DE ENTRADA
O Senhor escolheu-o como sumo sacerdote
e abriu-lhe o tesouro de todas as suas bênçãos.


ORAÇÃO COLECTA
Senhor, que, para defender a fé católica e instaurar todas as coisas em Cristo, enchestes de sabedoria divina e de fortaleza apostólica o papa São Pio X, concedei que, seguindo os seus ensinamentos e exemplos, alcancemos a recompensa eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


LEITURA I 1 Tes 2, 2b-8
«Desejávamos partilhar convosco
não só o Evangelho de Deus, mas ainda a própria vida»

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo
aos Tessalonicenses
Irmãos: Em Deus encontrámos coragem para vos anunciar o seu Evangelho no meio de grandes lutas. A nossa pregação não nasce do erro, nem da impureza ou da fraude. Mas como Deus nos encontrou dignos de nos confiar o Evangelho, assim o pregamos, não para agradar aos homens, mas a Deus que põe à prova os nossos corações. Bem sabeis que nunca usámos palavras de lisonja nem recursos de ganância; Deus é testemunha. Também não procurámos as honras humanas, quer da vossa parte, quer da parte dos outros, embora pudéssemos fazer valer a nossa autoridade como apóstolos de Cristo. Ao contrário, apresentámo-nos no meio de vós com bondade, como a mãe que acalenta os filhos que anda a criar. Pela viva afeição que vos dedicámos, desejávamos partilhar convosco não só o Evangelho de Deus, mas ainda a própria vida, tão caros vos tínheis tornado para nós.
Palavra do Senhor.


SALMO RESPONSORIAL Salmo 88 (89), 2-3.4-5.21-22.25 e 27 (R. 2a)
Refrão: Senhor, cantarei eternamente a vossa misericórdia.

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
e para sempre proclamarei a sua fidelidade.
Vós dissestes:
«A bondade está estabelecida para sempre»;
no céu permanece firme a vossa fidelidade.

«Concluí uma aliança com o meu eleito,
fiz um juramento a David, meu servo:
Conservarei a tua descendência para sempre,
estabelecerei o teu trono por todas as gerações.

Encontrei a David, meu servo,
ungi-o com óleo santo.
Estarei sempre a seu lado
e com a minha força o sustentarei.

A minha fidelidade e bondade estarão com ele,
pelo meu nome será firmado o seu poder.
Ele Me invocará: ‘Vós sois o meu Pai,
meu Deus, meu Salvador’».


EVANGELHO Da féria (ou do Comum)


ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS
Recebei benignamente, Senhor, as nossas ofertas e fazei que, seguindo os ensinamentos do papa São Pio X, celebremos com devoção sincera estes divinos mistérios e os recebamos com verdadeira fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


ANTÍFONA DA COMUNHÃO Jo 21, 17
Senhor, Vós sabeis tudo; bem sabeis que eu Vos amo.


ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Ao celebrarmos a memória do papa São Pio X, nós Vos pedimos, Senhor nosso Deus, que a participação na mesa celeste nos torne fortes na fé e unidos na caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia das Horas

Da Constituição Apostólica Divino afflatu, de S. Pio X, papa

(AAS 3 [1911], 633-635) (Sec. XX)

A voz da Igreja que canta suavemente

É sabido que os salmos foram compostos por inspiração divina e formam parte da Sagrada Escritura; já desde as origens da Igreja os salmos serviram admiravelmente para fomentar a piedade dos fiéis, que por meio deles ofereciam continuamente a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que aclamam o seu nome; e, segundo o costume da Antiga Lei, eles vieram a constituir uma parte importante na própria Liturgia sagrada e no Ofício divino.
Assim nasceu o que São Basílio chama «a voz da Igreja» e a salmodia, qualificada pelo nosso predecessor Urbano oitavo como «filha da hinologia que se canta assiduamente diante do trono de Deus e do Cordeiro» e que, segundo uma expressão de Santo Atanásio, ensina aos homens, especialmente aos que se dedicam ao culto divino, «como se deve louvar a Deus e as palavras dignas» de proclamar o seu nome. Belamente se exprime Santo Agostinho a este propósito: «Para que o homem pudesse louvar dignamente a Deus, Deus louvou Se a Si mesmo; e porque Ele Se dignou louvar Se a Si mesmo, o homem encontrou o modo de O poder louvar».
Os salmos têm, além disso, uma eficácia admirável para suscitar nas almas o desejo de todas as virtudes. De facto, «embora todas as partes da Escritura, tanto do Antigo como do Novo Testamento, sejam inspiradas por Deus e úteis para instruir, como está escrito, no entanto o Livro dos Salmos é como o paraíso em que se encontram (os frutos) de todos os outros (livros sagrados) e oferece além disso frutos especiais a quem entoa os seus cânticos ou salmos». Estas palavras são também de Santo Atanásio, que acrescenta ainda: «Para mim, os salmos são como um espelho para quem os canta: neles se contempla cada um a si mesmo, vê os próprios sentimentos, e assim lhes dá sentido quando os recita».
Santo Agostinho, no livro das suas Confissões, exclama: «Quanto não chorei ao escutar os vossos hinos e cânticos, fortemente comovido pela voz da Igreja que cantava suavemente! Essas vozes insinuavam se me nos ouvidos, infiltrando a verdade no meu coração; inflamava me em sentimentos de piedade e corriam lágrimas dos meus olhos: mas sentia me consolado com elas».
Quem não se deixará comover por aquelas frequentes passagens dos salmos em que é tão profundamente exaltada a majestade de Deus, a sua omnipotência, a sua inefável justiça, a sua bondade, clemência e todos os outros atributos, tão dignos de infinito louvor? Em quem não encontrarão eco aqueles sentimentos de acção de graças pelos benefícios recebidos de Deus, ou aquelas humildes e confiantes súplicas pelos dons que esperamos receber, ou os clamores da alma arrependida dos seus pecados?
A quem não inflamará de amor a imagem de Cristo Redentor ali prefigurada, cuja «voz» Santo Agostinho ouvia «em todos os salmos, ora cantando, ora gemendo, ora alegrando se na esperança, ora suspirando pela realidade futura»?