Santos

S. JOÃO I, papa e mártir

 

Nota Histórica

Nasceu na Toscana e foi eleito bispo da Igreja de Roma no ano 523. Foi a Constantinopla como delegado do rei Teodorico junto do imperador Justino; no seu regresso, Teodorico, desgostado com o resultado da sua missão diplomática, mandou-o prender e encarcerar em Ravena, onde morreu no ano 526.

 

Missa

ORAÇÃO
Senhor nosso Deus, recompensa das almas fiéis, que santificastes este dia com o martírio do papa São João I, ouvi a oração do vosso povo e fazei que, honrando os seus méritos, imitemos a constância da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia das Horas

Das Cartas de São João de Ávila, presbítero

(Cartas aos amigos, 58:
Obras completas, ed. B.A.C. 1, 533-534) (Sec. XVI)

Em nós se manifeste a vida de Jesus

Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para podermos também nós consolar aqueles que estão atribulados, por meio do conforto que nós próprios recebemos de Deus. Porque do mesmo modo que abundam em nós os sofrimentos de Cristo, assim também por Cristo abunda a nossa consolação.
Estas palavras são do apóstolo São Paulo. Por três vezes foi vergastado, cinco vezes açoitado e uma vez foi apedrejado até ser abandonado como morto; foi perseguido por toda a espécie de homens e atormentado com todo o género de dores e fadigas, como ele diz noutro lugar: Somos constantemente entregues à morte por causa de Jesus, para que a vida de Jesus Cristo se manifeste em nós.
Em todas estas tribulações não só não murmura nem se queixa de Deus, como costumam fazer os fracos; não se entristece, como fazem os que amam a honra e o prazer; não roga a Deus que o liberte das tribulações, como os que não O conhecem e, por isso, não as querem por companheiras; não as considera pequena mercê, como os que pouco as desejam; mas, pondo de parte toda a ignorância e fraqueza, bendiz a Deus nas tribulações e agradece a quem lhas dá, reconhecendo nelas não pequena mercê e considerando-se feliz por poder sofrer alguma coisa em honra d’Aquele que tantas ignomínias suportou para nos libertar da ignomínia, a que estávamos sujeitos pela vileza do pecado, e nos adornou e cobriu de honra com o seu Espírito e a adopção de filhos de Deus, e nos deu o penhor e garantia de gozarmos com Ele e por Ele no Céu.
Oh meus irmãos muito amados! Deus quer abrir os vossos olhos para verdes quantas graças Ele nos concede naquilo mesmo que o mundo pensa serem infelicidades, quanta honra recebemos ao sermos desonrados por buscar a honra de Deus, quão grande glória nos está reservada por causa da humilhação presente e como são suaves, amáveis e ternos os braços de Deus, abertos para receber os que foram feridos no combate pela sua causa, porque, sem dúvida, a doçura desses braços há-de exceder incomparavelmente todo o fel que as penas deste mundo podem dar. E se algum senso há em nós, havemos de desejar ardentemente estes braços; pois quem não deseja O que é a plenitude do amor, senão aquele que não sabe verdadeiramente o que é desejar?
Pois bem. Se vos agradam aquelas festas e se as desejais ver e gozar, tende por certo que não há outro caminho mais seguro do que o sofrimento. Esta é a senda por onde passaram Cristo e todos os seus. E ensina-nos que, se queremos chegar aonde Ele está, devemos seguir o mesmo caminho que Ele percorreu. Na verdade, não seria razoável que, tendo o Filho de Deus passado pelo caminho das desonras, sigam os filhos dos homens pelo caminho das honras; porque, o discípulo não é mais do que o Mestre, nem o servo é mais do que o Senhor.
Queira Deus que neste mundo a nossa alma não encontre outro descanso nem escolha outra vida que não sejam os trabalhos da cruz do Senhor.