Santos

S. PEDRO DAMIÃO, bispo e doutor da Igreja

 

Nota Histórica

Nasceu em Ravena no ano 1007. Terminados os estudos, dedicou-se ao ensino, mas depressa os abandonou para se fazer eremita em Fonte Avelana. Eleito prior do mosteiro, dedicou-se incansavelmente a fomentar a vida religiosa, não só ali mas também noutras regiões da Itália. Numa época muito difícil, foi bom colaborador dos papas na promoção da reforma da Igreja, ajudando-os com a sua actividade e os seus escritos e com o desempenho de embaixadas. Foi nomeado cardeal e bispo de Óstia pelo papa Estêvão IX. Logo a seguir ao seu falecimento, em 1072, começou a ser venerado como santo.

 

Missa

ORAÇÃO
Concedei-nos, Deus todo-poderoso, a graça de seguir os exemplos e conselhos do bispo São Pedro Damião, para que, amando a Cristo sobre todas as coisas e servindo a vossa Igreja, alcancemos as alegrias da luz eterna. Por nosso Senhor.

 

Liturgia das Horas

Das Cartas de São Pedro Damião, bispo
(Liv. 8, 6: PL 144, 473-476) (Sec. XI)

Espera confiadamente a alegria,
que vem depois da tristeza

Caríssimo, pediste-me que te escrevesse palavras de consolação, a fim de reconfortar o teu ânimo amargurado por tantos golpes dolorosos.
Mas se a tua prudência e sensatez não estão adormecidas, a consolação já chegou, porque as próprias palavras mostram sem sombra de dúvida que Deus te está instruindo como a um filho para alcançares a herança.
Assim o indicam claramente aquelas palavras: Filho, se queres servir a Deus, permanece na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação.
Onde existe o temor e a justiça, a prova de qualquer adversidade não é tormento de escravos, mas antes correcção paterna.
Porque até o bem-aventurado Job, quando diz no meio dos flagelos da infelicidade: Quem dera que Deus me esmagasse, que estendesse a sua mão e pusesse fim à minha vida, logo acrescenta: Terei a minha consolação, porque me atormenta com dores e não me poupa.
Para os eleitos de Deus, o castigo divino é consolação, porque, através das dores momentâneas que suportam, progridem a grandes passos na firme esperança de alcançar a glória da felicidade eterna.
É para isso que o martelo bate no ouro: para que o ourives possa extrair a escória; é para isso que se usa a lima: para que a veia do vibrante metal brilhe com mais fulgor. É no forno que se experimenta o vaso do oleiro, é na tribulação que se experimentam os homens justos. Porque também diz São Tiago: Considerai como motivo de grande alegria, irmãos, as diversas provações por que tendes passado.
É a bom título que se devem alegrar aqueles que neste mundo suportam a tribulação temporária pelos seus pecados, mas têm guardada para si no Céu uma recompensa eterna pelas boas obras que praticaram.
Portanto, caríssimo e dulcíssimo irmão, enquanto te atingem os golpes da desgraça, enquanto és castigado pelos açoites da correcção divina, não te deixes vencer pelo desalento, não te queixes nem murmures, não te deixes amargurar pela tristeza nem impacientar pela fraqueza de ânimo; mas conserva sempre a serenidade no teu rosto, a alegria no teu coração, a acção de graças na tua boca.
São certamente dignos de todo o louvor os desígnios de Deus, que atinge nesta vida os seus para os poupar aos flagelos eternos; abate para elevar, fere para curar, humilha para exaltar.
Portanto, caríssimo, robustece o teu espírito na paciência com estes e outros testemunhos das Escrituras divinas, e espera confiadamente a alegria que vem depois da tristeza.
Que a esperança daquela alegria te reanime e a caridade te inflame, de tal modo que o teu espírito, santamente inebriado, esqueça os sofrimentos exteriores e anseie com entusiasmo pelo que interiormente contempla.