Santos

S. JOÃO DE KENTY, presbítero

 

Nota Histórica

Nasceu em Kenty, na diocese de Cracóvia, em 1390; ordenou-se sacerdote e foi muitos anos professor da Universidade de Cracóvia; depois, foi pároco de Ilkus. À fé que ensinava uniu grandes virtudes, sobretudo a piedade e a caridade para com o próximo, tornando-se um modelo insigne para seus colegas e discípulos. Morreu em 1473.

 

Missa

Oração
Concedei-nos, Deus omnipotente, a graça de progredir na sabedoria dos Santos, a exemplo do presbítero São João de Kenty, de modo que, usando de misericórdia para com todos, em Vós encontremos o perdão. Por Nosso Senhor.

 

Liturgia das Horas

Das Cartas do Papa Clemente XIII

(2 Fev. 1767; Bullarii romani continuatio, IV, pars II, Pratis 1843, pp. 1314-1316)

Tinha sempre Deus no seu coração e na sua boca

Ninguém duvida de que o Bem-aventurado João de Kenty deve ser contado entre aqueles excelentes varões que foram exímios pela santidade e doutrina, que praticavam o que ensinavam e que defenderam a verdadeira fé impugnada pelos hereges. Enquanto nas regiões vizinhas pululavam as heresias e os cismas, o bem-aventurado João ensinava na Universidade de Cracóvia a doutrina haurida da mais pura fonte e explicava ao povo com muito empenho em seus sermões o caminho da santidade, confirmando a pregação com o exemplo da sua humildade, castidade, misericórdia, penitência e todas as outras virtudes próprias de um santo sacerdote e de um zeloso ministro do Senhor.
Deste modo, não só deu fama e glória ao corpo docente daquela Universidade, mas deixou um exemplo maravilhoso que produzirá abundantes frutos, para todos aqueles que se dedicarem a este ministério: para que procurem ser mestres perfeitos e se esforcem por ensinar com as palavras e com as obras a ciência dos Santos, bem como as restantes disciplinas, para louvor e glória de Deus.
À piedade com que se ocupava das coisas de Deus juntava-se uma grande humildade, de tal modo que, embora se avantajasse a todos em ciência, considerava-se inferior e não se antepunha a ninguém; mais ainda, desejava ser preterido e desprezado por todos e tratava com toda a serenidade os que o desprezavam e difamavam.
A sua humildade era acompanhada por uma rara simplicidade, própria de uma criança, e por isso nos seus actos e palavras não havia nem ambiguidade nem fingimento; o que tinha no coração aparecia nas suas palavras. Se suspeitava que ofendia alguém ao dizer a verdade, antes de se aproximar do altar pedia perdão, não tanto pelos seus erros como pelos alheios. Ao longo do dia, uma vez cumprido o seu dever de ensinar, dirigia-se directamente à igreja, onde durante muito tempo se entregava à oração e à contemplação diante de Cristo na Eucaristia. Em todas as circunstâncias, só tinha Deus no seu coração, só tinha Deus na sua boca.