Santos

S. GERTRUDES, virgem

 

Nota Histórica

Nasceu em Eisleben (Turíngia) no ano 1256; era muito jovem ainda quando foi acolhida no mosteiro cisterciense de Helfta, onde se entregou com grande diligência ao estudo, dedicando se especialmente à literatura e à filosofia. Mais tarde consagrou se exclusivamente a Deus e progrediu de modo admirável no caminho da perfeição, levando uma vida extraordinária de oração e contemplação. Morreu a 17 de Novembro de 1301.

 

Missa

ORAÇÃO COLECTA
Senhor, que preparastes para Vós uma digna morada no coração da virgem Santa Gertrudes, por sua intercessão iluminai as nossas trevas, para saborearmos a alegria da vossa presença e da vossa graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


LEITURA I Ef 3, 14-19
«Conhecer o amor de Cristo,
que ultrapassa todo o conhecimento»

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios
Irmãos: Eu dobro os joelhos diante do Pai, de quem recebe o nome toda a paternidade nos céus e na terra, para que Se digne, segundo as riquezas da sua glória, armar-vos poderosamente pelo seu Espírito, para que se fortifique em vós o homem interior e Cristo habite pela fé em vossos corações. Assim, profundamente enraizados na caridade, podereis compreender, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento, e assim sejais totalmente saciados na plenitude de Deus.
Palavra do Senhor.


SALMO RESPONSORIAL Salmo 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)
Refrão: O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

O Senhor é meu pastor: nada me falta,
leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo enchem-me de confiança.

Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda.

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.


EVANGELHO Da féria (ou do Comum)

 

Liturgia das Horas

Do «Livro das Revelações do amor divino»
de Santa Gertrudes, virgem

(Liv. 2, 23,1.3.5.8. 10: SC 139, 330-340) (Sec. XIII)

Tivestes sobre mim pensamentos de paz

A minha alma Vos bendiga, Senhor Deus, meu Criador, a minha alma vos bendiga e do mais íntimo do meu coração Vos louvem as vossas misericórdias de que a vossa infinita piedade tão generosamente me envolveu. Eu Vos dou graças pela vossa imensa misericórdia e pela vossa paciente bondade para comigo. Todos os anos da minha infância e puerícia, da adolescência e da juventude, quase até ao fim dos vinte e cinco anos, decorriam numa cegueira tão louca; pensava, falava e procedia segundo os meus caprichos e não sentia remorso algum de consciência. Dou me conta disso agora. Não Vos prestava atenção alguma, mas apenas me deixava conduzir por uma repugnância natural e inata pelo mal e pelo gosto do bem, ou pelas advertências dos que me rodeavam. Vivia como pagã entre pagãos, como se nunca tivesse ouvido dizer que Vós, meu Deus, recompensais o bem e punis o mal. E no entanto, já desde a infância, concretamente desde os cinco anos, Vós me tínheis escolhido para me admitir entre os mais fiéis dos vossos amigos na prática da santa religião.
Por isso, Pai amantíssimo, em reparação das minhas faltas, ofereço Vos todos os sofrimentos de vosso Filho bem amado, desde aquela hora em que, deitado nas palhas do presépio, soltou o primeiro vagido, e tudo o que suportou depois: as dificuldades da infância, as fraquezas da idade pueril, as adversidades da adolescência e as provas da juventude, até ao momento em que, inclinando a cabeça, com forte brado expirou na cruz. De igual modo, para suprir todas as minhas negligências, ofereço Vos, Pai amantíssimo, toda aquela santíssima vida de vosso Filho Unigénito, perfeitíssima em todos os pensamentos, palavras e acções, desde a hora em que foi enviado do trono celeste e desceu à nossa terra até ao momento em que apresentou perante o vosso olhar paterno a glória da sua humanidade vitoriosa.
Em acção de graças e imersa no mais profundo abismo de humildade, louvo a vossa incomensurável misericórdia e adoro a dulcíssima benevolência pela qual, Pai de misericórdia, no meio da minha vida errante tivestes sobre mim pensamentos de paz e não de desgraça e quisestes elevar me com a multidão e grandeza dos vossos benefícios. Além disso, entre tantos favores, concedestes me o dom inestimável da vossa intimidade e amizade, ao abrir me aquela arca nobilíssima da divindade, a saber, o vosso Coração divino, no qual encontro o tesouro de todas as minhas alegrias.
Finalmente, atraístes a minha alma com as fiéis promessas que desejais conceder me na morte e depois da morte; e, por isso, ainda que não tivesse recebido de Vós nenhum outro benefício, este dom seria suficiente, por si só, para que o meu coração suspirasse continuamente por Vós com viva esperança.