Santos

B. GONÇALO DE LAGOS, presbítero

 

Nota Histórica

Nasceu em Lagos (Portugal), no ano 1360; partiu para Lisboa, ainda jovem, com o intuito de ingressar num instituto religioso e tomou o hábito na Ordem dos Eremitas de S. Agostinho. Renunciou, por humildade, a doutorar se em Teologia. Foi prior em vários conventos da sua Ordem. Morreu em Torres Vedras no dia 15 de Outubro de 1422.

 

Missa

ORAÇÃO
Deus, fonte de todas as virtudes, que tornastes admirável o bem aventurado Gonçalo de Lagos, na humildade de espírito, pureza de costumes e singular caridade, concedei nos que, imitando na terra os seus exemplos, mereçamos com ele ser coroados no Céu. Por Nosso Senhor.

 

Liturgia das Horas

Das Homilias de São Valeriano, bispo

(Hom. 14, 2.4.6-7: PL 52, 735-738) (Sec. V)

A excelência da humildade

Diz a Escritura: Deus dá a graça aos humildes e resiste aos soberbos. Considerai, irmãos caríssimos, qual a retribuição de uns e de outros e ficareis a entender o que deveis amar e o que deveis odiar. Este, pelo amor à humildade, é enriquecido pela graça; aquele, por causa da soberba, é merecedor de castigo. Corrija se cada qual a si mesmo, se de alguém se apoderou o orgulho, para não atrair sobre si a justiça celeste. Porquanto, dificilmente passará sem perigo de vida, aquele que se expõe ao combate contra um poder mais alto. Inclinemos, portanto, o nosso espírito com toda a humildade, a fim de alcançarmos a graça junto do Senhor.
Mas podereis compreender como é grave a culpa da soberba e como é necessário evitar tão grande castigo da ira divina. A humildade sai sempre ilesa, porque não pode ser vencido quem não está implicado na luta. Mas a soberba atrai ódios e perigos, porque dificilmente escapa ao combate quem cometeu a ofensa. Contudo, será fácil para nós escapar de todo o perigo, se lutarmos com humildade contra os vícios da soberba. Deus dá a graça aos humildes e resiste aos soberbos.
Refiro me àquela humildade verdadeira e santa que é inspirada no amor de Deus e da religião, e não aquela que provém do temor servil. Falo daquela humildade que anda sempre associada à caridade, que não se desvanece com a autoridade mas se alimenta com a lei da vida.
Consideremos, irmãos caríssimos, os bens da humildade. A humildade é serena e atenciosa, é grata nas amizades e calma nas afrontas. O humilde não se exalta com a prosperidade, nem se perturba com a adversidade; não pede serviços nem os impõe; por deferência, é o primeiro a saudar e o último a sentar se; não se deixa seduzir pelos aduladores, nem ambiciona saudações lisonjeiras; não busca pretextos de louvor, nem espera o favor dos aplausos; evita o coro das reclamações, porque o louvor ofende a modéstia da boa consciência. Não dá ouvidos a vozes aduladoras aquele que se reconhece indigno de louvor; tolera com dificuldade os louvores dos amigos aquele que os merece. Todavia, se cai nalguma falta, espera que seus actos sejam notados e justamente censurados.
A humildade anda sempre acompanhada pela bondade. Assim como não sabe ofender ninguém, também não se queixa das afrontas. Nas discussões, o homem humilde tem mais satisfação em calar se do que em vencer; nos juízos, antes quer parecer ignorante do que ser tido como imprudente; é circunspecto no falar e prudente ao responder.
Caríssimos: amemos e procuremos a humildade, abracemo la e conservemo la com entusiasmo, para não perdermos a recompensa da graça prometida. Ouvi as palavras do Evangelista: Quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado.