Santos

S. Pedro Claver, presbítero

 

Nota Histórica

Pedro Claver nasceu em Verdú (Espanha) no ano de 1580; começou em 1596 os estudos de Letras e Artes na Universidade de Barcelona e em 1602 entrou na Companhia de Jesus. Na sua vocação missionária exerceu notável influência S. Afonso Rodriguez, porteiro do Colégio de Maiorca. Ordenado sacerdote em 1616 na missão da Colômbia, aí exerceu até à morte o apostolado entre os escravos negros, conforme o voto a que se tinha obrigado de ser «escravo dos negros para sempre». Debilitadas as forças, morreu em Cartagena (Colômbia) a 8 de Setembro de 1654.

 

Missa

ANTÍFONA DE ENTRADA Lc 4, 18; cf. Is 61, 1
O Espírito do Senhor está sobre mim.
Ele me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres,
a sarar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros.


ORAÇÃO COLECTA
Por intercessão de São Pedro Claver, que por vosso amor se fez escravo dos escravos concedei-nos, Senhor, que reco¬nheçamos em todos os homens a dignidade de filhos vossos e trabalhemos esforçadamente pela sua salvação. Por Nosso Se¬nhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


LEITURAS Da féria (ou do Comum dos Pastores)


ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS
Santificai, Senhor, a nossa oblação com a bênção do Espírito Santo e aceitai-a benignamente pela salvação dos povos para os quais São Pedro Claver se tornou ministro de Cristo Jesus, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo


ANTÍFONA DA COMUNHÃO 1 Cor 9, 22b
Fiz-me tudo para todos, para salvar a todos.


ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Por este sacrifício redentor de vosso Filho, que tomou sobre Si as nossas fraquezas, acendei, Senhor, em nossos corações o fogo da vossa caridade, para que, tornando-nos fracos para os fracos, os ganhemos a todos para Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia das Horas

Das Cartas de São Pedro Claver, presbítero

(Carta de 31 de Maio de 1627: A. Valtierra, S.I., San Pedro Claver, Cartagena, 1964, pp. 140-141)

Evangelizar os pobres, sarar os corações atribulados,
proclamar a redenção dos cativos

Ontem, 30 de Maio deste ano de 1627, festa da Santíssima Trindade, saíram de uma grande nau muitos negros trazidos das margens dos rios de África. Fomos ter com eles, levando dois cestos de laranjas, limões, bolachas e outras coisas, e dirigimo nos para as suas barracas. Parecia que entrávamos noutra Guiné.
Tivemos de atravessar por entre grande multidão até chegar aos doentes, que eram muito numerosos e estavam deitados no chão húmido e lamacento. Alguém se lembrou de o entulhar com fragmentos de telhas e tijolos para diminuir a humidade. Tal era a cama destes infelizes, que além disso estavam nus, sem qualquer roupa que os protegesse.
Tirámos as nossas capas e fomos buscar tábuas para fazer um estrado. Depois, forçando o caminho por entre os guardas, para ali transportámos os doentes. Em seguida distribuímo los em dois grupos: de um grupo encarregou se o meu companheiro com um intérprete; do outro encarreguei me eu.
Entre eles havia dois quase a morrer: estavam frios e mal se lhes sentia o pulso. Levámos brasas numa telha para junto dos moribundos, deitámos perfumes nas brasas, até esvaziar duas sacas que tínhamos trazido. Depois, cobrindo os com as nossas capas – pois eles nada tinham com que se cobrir e não podíamos perder tempo a pedir roupas aos seus senhores – conseguimos que fizessem uma inalação daqueles vapores e recuperassem o calor e a respiração. Era de ver a alegria com que nos olhavam!
Assim lhes falámos, não com palavras mas com obras; e na verdade, estando eles persuadidos de que tinham sido trazidos para ali a fim de serem comidos, de nada teriam servido outros discursos. Sentámo nos depois, ou ajoelhámo nos junto deles, lavámos lhes os rostos e os corpos com vinho, procurando alegrá los com carinho e fazer lhes o que naturalmente se faz para levantar o moral dos doentes.
Depois tratámos de os preparar para o Baptismo. Explicámos lhes os admiráveis efeitos deste sacramento para o corpo e para a alma. E quando, respondendo às nossas perguntas, deram mostras de terem compreendido, passámos a um ensino mais completo sobre um só Deus que premeia ou castiga segundo os merecimentos de cada um, etc. Exortámo los a fazer o acto de contrição e a manifestar o arrependimento dos pecados que tivessem cometido, etc.
Finalmente, quando já pareciam suficientemente preparados, falámos dos mistérios da Santíssima Trindade, da Encarnação e da Paixão; e, mostrando lhes num quadro a imagem de Cristo crucificado sobre uma pia baptismal, para a qual correm os rios de sangue provenientes das chagas de Cristo, rezámos com eles, na sua língua, o acto de contrição.