Santos

S. PONCIANO, papa, e S. HIPÓLITO, presbítero, mártires

 

Nota Histórica

Ponciano foi ordenado bispo de Roma no ano 231. Desterrado para a Sardenha, juntamente com o presbítero Hipólito, pelo imperador Maximino, no ano 235, aí morreu, depois de ter abdicado do seu pontificado. O seu corpo foi sepultado no cemitério de Calixto e o de Hipólito no cemitério que está junto à Via Tiburtina. A Igreja Romana presta culto a ambos os mártires já desde o princípio do século IV.

 

Missa

Oração
O glorioso martírio dos vossos Santos aumente em nós, Senhor, o desejo de Vos amar e fortaleça a fé em nossos corações. Por Nosso Senhor.

 

Liturgia das Horas

Das Cartas de São Cipriano, bispo e mártir

(Epist. 10, 2-3.5: CSEL 3, 491-492.494-495) (Sec. III)

Fé inquebrantável

Como cantar os vossos louvores, valorosos irmãos? Como poderão as minhas palavras exaltar dignamente a vossa fortaleza de ânimo e a perseverança da vossa fé? Suportastes um duríssimo combate até à consumação da glória; e não cedestes perante os suplícios, mas foram os suplícios que cederam diante de vós. Não foram os tormentos mas sim as coroas do triunfo que puseram fim ao vosso sofrimento. Longe de quebrantar a firmeza da vossa fé, o tempo que durou a cruel dilaceração dos vossos membros permitiu vos, pelo contrário, chegar mais depressa junto do Senhor.
A multidão dos presentes, admirando este combate celeste de Deus, esta batalha espiritual de Cristo, viu como os seus servos se mantinham firmes, confessando claramente a sua fé com inteira liberdade de espírito, sem o menor desfalecimento, animados por uma coragem sobre humana, desprovidos das armas do mundo, mas, como crentes, munidos com as armas da fé. Foram mais fortes os torturados do que os torturadores; as unhas de ferro puderam ferir e dilacerar, mas foram vencidas por aqueles membros feridos e dilacerados.
O furor dos golpes, longamente repetidos, não conseguiu dominar a fé inexpugnável dos servos de Deus, mesmo quando, no seu corpo dilacerado, as torturas já não recaíam sobre os membros, mas sobre as mesmas feridas cada vez mais profundas. Corria o sangue, que havia de extinguir o incêndio da perseguição e amortecer com a sua gloriosa corrente as chamas e o fogo do inferno. Oh maravilhosa festa do Senhor! Como foi sublime, grandiosa e agradável aos olhos de Deus, que via a fidelidade generosa dos seus soldados ao juramento prestado, como está escrito no livro dos Salmos, em que o Espírito Santo nos fala e ao mesmo tempo nos exorta: É preciosa aos olhos de Deus a morte dos seus fiéis. É realmente preciosa esta morte, que compra a imortalidade com o preço do seu sangue, que recebe a coroa da mão de Deus depois de ter dado a prova máxima de fortaleza.
Com que alegria esteve Cristo ali presente! Como Lhe foi agradável combater e vencer na pessoa de tais servos, Ele que é o protector da fé e dá aos que n’Ele confiam tanto quanto cada um espera receber! Esteve presente ao seu combate, sustentou, fortaleceu e animou os combatentes e defensores do seu nome. Aquele que por nós venceu a morte de uma vez para sempre, continua a vencê la em cada um de nós.
Ditosa a nossa Igreja, que assim é iluminada com o esplendor da bondade divina e ilustrada nos nossos tempos com o glorioso sangue dos mártires. Se antes a vida dos irmãos a adornava com a brancura da inocência, agora reveste a de púrpura o sangue dos mártires. Entre as suas flores não faltam os lírios nem as rosas. Esforcemo nos agora, todos e cada um de nós, por alcançar a honra de uma e outra altíssima dignidade, a fim de recebermos ou as coroas brancas de uma vida santa ou as coroas de púrpura do martírio.