Santos

OS PRIMEIROS SANTOS MÁRTIRES DA IGREJA DE ROMA

 

Nota Histórica

Na primeira perseguição contra a Igreja, desencadeada pelo imperador Nero, depois do incêndio da cidade de Roma no ano 64, muitos cristãos foram martirizados com atrozes tormentos. Este facto é atestado pelo escritor pagão Tácito (Annales 15, 44) e por S. Clemente, bispo de Roma, na sua Epístola aos Coríntios (cap. 5-6).

 

Missa

ORAÇÃO COLECTA
Senhor nosso Deus, que consagrastes pelo sangue dos mártires os grandiosos princípios da Igreja de Roma, fazei que a sua coragem no combate nos alcance uma força invencível e a alegria da vitória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


LEITURA I Rom 8, 31b-39
«Nem a morte nem a vida poderá separar-nos do amor de Deus»

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
Irmãos: Se Deus está por nós, quem estará contra nós? Deus, que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou à morte por todos nós, como não havia de nos dar, com Ele, todas as coisas? Quem acusará os eleitos de Deus, se Deus os justifica? E quem os condenará, se Cristo Jesus morreu e, mais ainda, ressuscitou, está à direita de Deus e intercede por nós? Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? Assim está escrito: «Por tua causa somos sujeitos à morte o dia inteiro; somos tomados como ovelhas para o matadouro». Mas em tudo isto somos vencedores, graças Àquele que nos amou. Na verdade, eu estou certo de que nem a morte nem a vida, nem os Anjos nem os Principados, nem o presente nem o futuro, nem as Potestades nem a altura nem a profundidade nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Palavra do Senhor.


SALMO RESPONSORIAL Salmo 123 (124), 2-3.4-5.7b-8
(R. cf. 7 ou Salmo 141 (142), 7c)
Refrão: Como pássaro liberto do laço dos caçadores,
a nossa vida foi salva pelo Senhor.
Ou: O Senhor nos liberta daqueles que nos perseguem.

Se o Senhor não estivesse connosco,
os homens que se levantaram contra nós
ter-nos-iam devorado vivos, no furor da sua ira.

As águas ter-nos-iam afogado,
a torrente teria passado sobre nós:
sobre nós teriam passado as águas impetuosas.

Quebrou-se a armadilha e nós ficámos livres.
A nossa protecção está no nome do Senhor,
que fez o céu e a terra.


ALELUIA Mt 5, 10
Refrão: Aleluia. Repete-se
Bem-aventurados os que sofrem perseguição
por amor da justiça,
porque deles é o reino dos Céus. Refrão


EVANGELHO Mat 24, 4-13
«De todos sereis odiados por causa do meu nome»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende cuidado para que ninguém vos engane, porque muitos virão invocando o meu nome e dirão: ‘Eu sou o Messias,’ e enganarão muita gente. Ouvireis falar de guerras e rumores de guerras. Prestai atenção e não vos alarmeis, pois estas coisas têm de acontecer; mas ainda não será o fim. Porque há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino e haverá fomes, pestes e terramotos em diversos lugares. Tudo isto será apenas o começo das dores. Nesse tempo, entregar-vos-ão à tortura e à morte e de todos sereis odiados por causa do meu nome. Então, muitos vão sucumbir e mutuamente se hão-de trair e odiar. Surgirão falsos profetas em grande número e enganarão muita gente. De tal modo aumentará a maldade que a caridade de muitos resfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo».
Palavra da salvação.

 

Liturgia das Horas

Da Epístola de São Clemente, papa, aos Coríntios

(Cap. 5, 1 – 7, 4: Funk 1, 67-71) (Sec. I)

Sendo vítimas de fanatismo iníquo,

deram-nos um magnífico exemplo de fidelidade
Deixemos os exemplos dos antigos e falemos dos nossos atletas mais recentes; apresentemos os exemplos generosos do nosso tempo. Vítimas do fanatismo e da inveja, os que eram as maiores e mais santas colunas da Igreja sofreram perseguição e tiveram de combater até à morte.
Ponhamos diante dos nossos olhos os bons Apóstolos. Por causa dum fanatismo iníquo, Pedro teve de suportar duros tormentos, não uma ou duas vezes, mas muitas; e, depois de sofrer o martírio, passou para o lugar que lhe era devido na glória. O mesmo fanatismo e rivalidade deu a Paulo ocasião para alcançar o prémio da paciência: sete vezes lançado na prisão, exilado e apedrejado, tornou-se o pregoeiro da palavra no Oriente e no Ocidente e conseguiu uma extraordinária fama com a sua fé. Depois de ensinar ao mundo inteiro o caminho da justiça e de chegar até aos confins do Ocidente, sofreu o martírio que lhe infligiram as autoridades e partiu deste mundo para o lugar santo, deixando-nos um exemplo perfeito de paciência.
A estes homens, mestres de vida santa, juntou-se uma grande multidão de eleitos, que, vítimas de ódio iníquo, sofreram muitos suplícios e tormentos, e assim se converteram para nós num magnífico exemplo de fidelidade. Vítimas do mesmo ódio, sofreram perseguição muitas mulheres, como Danaides e Dirces, que, suportando graves e horríveis suplícios, correram até ao fim a árdua carreira da fé e, sendo fracas de corpo, receberam o nobre prémio do triunfo. O fanatismo dos perseguidores separou esposas dos maridos, alterando o que disse nosso pai Adão: É osso dos meus ossos e carne da minha carne. O fanatismo e a rivalidade destruíram grandes cidades e fizeram desaparecer numerosas povoações.
Escrevemo-vos isto, caríssimos, não só para vos recordar os deveres que tendes, mas também para nos incitarmos a nós próprios. Encontramo-nos na mesma arena e combatemos o mesmo combate. Deixemos portanto as preocupações inúteis e vãs, e voltemo-nos para a norma gloriosa e venerável da nossa tradição, para compreendermos o que é belo, o que é bom, o que é agradável ao nosso Criador. Fixemos atentamente o nosso olhar no Sangue de Cristo e reconheçamos como é precioso perante Deus o seu Sangue, que, tendo sido derramado pela nossa salvação, alcançou para o mundo inteiro a graça da conversão.