A Virgem Santa Maria na Liturgia

temática

CONFERÊNCIAS:

Maria no mistério de Cristo e da Igreja
Dom João Marcos, Bispo de Beja

A Virgem Santa Maria no Ano Litúrgico
Dom José Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda

A colectânea de Missas da Virgem Santa Maria
P. Corrado Maggioni, SMM
Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos

O Santuário de Fátima na renovação litúrgica em Portugal
P. Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima

Escola de ministérios

Presidência: P. Luís Ribeiro
Acólitos: P. Luís Leal
Leitores: P. Carlos Aquino
Músicos: P. António Cartageno
Catequistas: P. Paulo Malícia
Ministros Extr. Comunhão: P. João Peixoto

 

SECTORES

Maria no Directório de Piedade Popular e Liturgia
P. Francisco Couto

Maria na Arte para a Liturgia
Doutora Sandra Costa Saldanha

A Virgem Maria na música sacra e litúrgica
P. José Joaquim Santos Ribeiro

A espiritualidade da liturgia mariana.
P. Pedro Lourenço Ferreira

 

CELEBRAÇÕES:

Missa e Vésperas
Vigília e Celebração Penitêncial
Basílica da Santíssima Trindade

Laudes
Capelinha das Aparições e Basílica da Santíssima Trindade

 

Apresentação da temática

O Centenário das Aparições da Virgem Maria em Fátima, que une toda a Igreja em Portugal, e ao qual o Santo Padre se associa como peregrino de Fátima, é uma boa oportunidade para aprofundar a presença e o lugar da Virgem Maria na liturgia da Igreja.

A Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade e o Secretariado Nacional de Liturgia decidiram dedicar o Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica de 2017 à temática mariana A Virgem Santa Maria na Liturgia. As conferências e os conferencistas foram escolhidos de forma a proporcionar uma formação sólida sobre o culto da Virgem Santa Maria na Liturgia. O Concílio Vaticano II, na Constituição dogmática sobre a Igreja, «recomenda a todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico». O mesmo Concílio, na Constituição sobre a sagrada liturgia, explica o sentido do culto litúrgico à Santíssima Virgem: «A santa Igreja venera com especial amor a Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, unida indissoluvelmente à obra salvadora do seu Filho; nela, a Igreja admira e exalta o fruto mais excelso da Redenção e contempla-a com alegria como puríssima imagem do que toda ela deseja e espera ser». A Liturgia Romana venera a Virgem Santa Maria ao longo de todo o ano litúrgico, não só no Missal Romano e na Liturgia das Horas, mas também noutros livros litúrgicos, os quais contêm celebrações próprias para venerar a memória da humilde e gloriosa Mãe de Cristo, como bem explica a Exortação apostólica Marialis cultus do beato Paulo VI. A Igreja, a partir do Pentecostes – como em Caná e no Calvário –, sempre contou com a presença da Virgem Maria e fez desta presença uma necessidade que está na origem do culto mariano. Este, por sua vez, tem na liturgia a melhor expressão, mas encontra-se em toda a vida cristã, como atesta a piedade popular.

Dedicar um Encontro de Pastoral Litúrgica à Virgem Maria é mais que uma devoção mariana: é uma necessidade de aprofundamento da fé em Cristo, gerado e não criado, que encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e Se fez homem. A Igreja toma consciência de si própria quando se revê gerada em Cristo na mesma maternidade da Virgem Maria: «A Igreja, ao celebrar a função da Mãe do Senhor na obra da redenção ou os seus privilégios, celebra sobretudo os acontecimentos da salvação em que, por desígnio salvífico de Deus, a Virgem Maria interveio na perspectiva do mistério de Cristo». Mediante as celebrações, os fiéis são despertados para os sinais da presença de Cristo na liturgia, sobretudo nos ritos e nas preces, ou seja, nos gestos e nas palavras. «A liturgia, que tem o admirável poder de evocar o passado e tornando-o presente, apresenta frequentemente aos olhos dos fiéis a figura da Virgem de Nazaré, que “abraçou de todo o coração o desígnio salvador de Deus, consagrou-se totalmente, como escrava do Senhor, à pessoa e à obra do seu Filho, subordinada a Ele e juntamente com Ele, servindo pela graça de Deus omnipotente o mistério da redenção”. Por isso a Mãe de Cristo resplandece, sobretudo nas acções litúrgicas, “como exemplo de virtudes” e de fiel cooperadora na obra da salvação».

A tradição da Igreja testemunha a presença contínua da Virgem Maria na celebração do culto cristão: «A liturgia, herdeira da doutrina e da linguagem dos Santos Padres, para exprimir a exemplaridade da Virgem Santa Maria, utiliza vários termos: exemplo, principalmente quando quer salientar a sua santidade e apresentá-la aos fiéis como fiel escrava do Senhor e perfeita discípula de Cristo; figura, para indicar que a vida e a atitude de Maria – Virgem, Esposa e Mãe – prefiguram a vida da Igreja e guia os seus passos no caminho da fé e do seguimento do Senhor; imagem, para sublinhar que em Maria, já plenamente configurada com seu Filho, a Igreja “a contempla com alegria como puríssima imagem do que toda ela deseja e espera ser”».

O conceito de culto mariano orienta os fiéis, naturalmente, para a oração do rosário. Mas a prática habitual exprime bem o universo grandioso desse culto, em que a Missa tem o seu lugar central, preparada nas celebrações da Penitência e do rosário, sempre com solenes procissões de início e de encerramento. O programa habitual dos santuários marianos, como Fátima e Sameiro, atestam esta verdade: «A Igreja, na sagrada liturgia, convida os fiéis a imitar a Virgem Santa, especialmente pela fé e a obediência com que generosamente aderiu ao desígnio da salvação de Deus. De modo particular, os hinos e os textos eucológicos manifestam uma rica e esplêndida série de virtudes que a Igreja, na sua experiência secular de oração e de contemplação, guiada pelo Espírito Santo, descobriu e aprendeu na Mãe de Cristo».

O programa do Encontro Nacional de Pastoral litúrgica, a realizar em Fátima nos dias 24 a 28 de Julho de 2017, dedica uma atenção particular à oração na Capelinha das Aparições [as Laudes] e na basílica da Santíssima Trindade [Missa, Vésperas e Celebração Penitencial].As manhãs são exclusivamente dedicadas à oração. A formação tem lugar à tarde com uma conferência magistral por dia e outras conferências por sectores, que no primeiro dia tem a forma de escola de ministérios. Entre os conferencistas salientamos o bispo de Beja, D. João Marcos; o bispo de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro; o Sub-secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, P. Corrado Maggioni; o Reitor do Santuário de Fátima, P. Carlos Cabecinhas, que abordará a temática «O Santuário de Fátima na renovação litúrgica em Portugal». A escola de ministérios destina-se aos Presidentes, Acólitos, Leitores, Músicos, Catequistas e Ministros Extraordinários da Comunhão. As outras conferências abordam assuntos também marianos: Maria no Directório de Piedade Popular e Liturgia, Maria na arte para a liturgia, A Virgem Maria na música sacra e litúrgica, A espiritualidade da liturgia mariana.

A mensagem de Fátima tem, desde as aparições do Anjo e da Virgem Maria, uma dimensão litúrgica muito notória. As celebrações do Centenário retomam essa espiritualidade litúrgica.

Pedro Lourenço Ferreira
(Artigo publicado no Boletim de Pastoral Litúrgica, 165, p. 1-2)