A partir do Salmo 87, que canta com entusiasmo a grandeza de Jerusalém, mãe de todos os povos, o misterioso prodígio da fonte, que é "dançado e cantado" conduz-nos, ao mesmo tempo, ao território bíblico largamente desértico, onde a água faz a diferença entre a vida e a morte. Por isso, as fontes são o sinal da presença de Deus. A Liturgia, sobretudo a Eucaristia, é apresentada no Concílio Vaticano II como «cume e fonte da vida eclesial» (SC 10). São João XXIII gostava de aplicar à Liturgia a imagem da fonte: «ela é como que a fonte da aldeia, na qual todas as gerações vêm beber a água sempre viva e fresca». É também um ponto culminante, porque toda a actividade da Igreja tende para a comunhão de vida com Cristo, sendo na Liturgia que a Igreja manifesta e comunica aos fiéis a obra da Salvação, realizada por Cristo de uma vez para sempre.

[+ JOSÉ MANUEL GARCIA CORDEIRO, Delegado da CEP para os Congressos Eucarísticos Internacionais]